quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Desassociando




Me sento a beira da mesa, repleta de trabalhos a fazer, olho para uma estante cheia de livros e fecho os os olhos por um segundo, estou  me deslocando para outro lugar.
Estou dentro de uma loja funebre, entre os meus pensamentos insanos. Pergunto para mim mesma com um outro tom de voz: “Posso ajuda-lá?”
E respondo mudando mais uma vez meu tom de voz: “Vou levar este aqui.”
Pego um livro qualquer que finjo nunca ter lido, aproveitando um pouco da sensação e mergulho de novo.
Volto para escrever os relatos dessa viagem estranha. 
A beira da cama com uma caneta na mão, eu perdi mais uma vez a minha ideia inicial.
“O que era mesmo que eu estava fazendo aqui?”

Aline Westphal

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Brincar de vida!



Porque ele fez da vida um brinquedo.
E me colocou como peça reserva.
Só que pro meu azar, ele soube conservar suas coisas, tão bem que elas nunca quebraram.
Então eu nunca fui usada como eixo principal, mas sempre como uma peça reserva esperando uma possível perda.
Então eu aprendi a brincar, e também fiz da minha vida um brinquedo.
E ela se tornou um grande e lindo quebra-cabeça.



Aline Wesphal

Fuck You!



Ta difícil demais, pra prosa, pra rima e pra verso.
Eu não quero escrever nada bonito.
Nem o tempo, nem as pessoas, nem nada tem me ajudado.
Minhas verdades são tão incertas, que eu não sei se cuspo elas na sua cara, ou simplesmente engulo mais uma vez.
Talvez eu só escreva e desabafe.
Talvez eu quebre tudo e me afaste.
Quebre tudo dentro de mim claro, porque você não vale um objeto partido.

Aline Westphal

domingo, 10 de junho de 2012

Deixa ir


Foi nos erros e tropeços que aprendi o sentido das coisas.
Sem concordar, eu tive que ir mesmo assim.
De tanto cair, passei a não me importar mais com a dor.
E de tanto perder, passei a valorizar o pouco que tinha.
Não me importo de ficar sozinha outra vez.
Não me importo se não notarem a minha presença.
Tudo que começa, um dia sempre acaba não é?
Quantas vezes me exigiram cabelos penteados e roupas bonitas.
Uma postura e um sorriso no rosto.
Uma menina bonita, com o pensamento distante e olhos tristes.
Porque não ser como todo mundo?
Apesar de dramático e estranho, eu gosto das coisas assim.
Por piores que possam parecer, elas tem o seu valor.
São nesses detalhes, não tão belos, mas cheios de sentido é que eu me encontro.
Então me deixe ir, como aquela porcelana que caiu da estante.
As marcas da fragilidade em cada rachadura, mas não mais presa em um lugar decorativo.
Só me deixe ir, porque aqui não tem mais lugar pra mim.
Porque eu não me importo de ficar sozinha outra vez.
Não me importo em estragar tudo, no entanto que eu fique bem assim.

Aline Westphal


sábado, 9 de junho de 2012

Irmandade


Estou aqui de passagem, nesse lugar de todos.
Vivendo como uma grande família.
Todos temos os mesmos direitos, a escolha e a liberdade.
Quantas vezes teremos que errar até aprendermos a amar?
Continuarei a retribuir a sua ganância com o meu amor, e jogarei flores pelo caminho.
A loucura esta nesse mundo de faz de conta, que não nos desapegamos.
Criando a fantasia de sermos melhores um dia.
Então plantamos a discórdia, o repúdio e geramos mais guerra.
Mas sabe, eu continuarei..
Continuarei a jogar flores pelo caminho.
Acredito que isso ainda possa mudar ,esse ar gélido ainda se tornará uma brisa de outono.
Amigo, aceite a paz de um dia tranquilo.. e veja as flores..
As flores que nascem atrás de você!

Aline Westphal


quarta-feira, 25 de abril de 2012

Reflexos do meu suposto eu!



Por tempos eu pensei que existia uma causa lógica.
Muitas vezes cheguei a sonhar com todo o percurso, e como tudo seria perfeito.
Censurando a minha própria liberdade, produzindo causa e efeito.
De maneira controversa adiei tudo que me era fonte de prazer.
Da mesma maneira que entre as minhas desculpas descabidas, criei uma verdade provisória.
Entre muitos fui apenas mais uma.
Imersa no medo de um mundo fora de mim.
Conduzindo-me de maneira errante pelo mesmo caminho, onde a fantasia sempre foi a minha única fonte de intenso movimento.
Criação de um a violenta força que atua no sentido contrário.
Nunca quis seguir o ritmo tenebroso da reprodução.
Mas pra onde vão os quadros sem molduras?
Se tudo que já foi a mais bela exposição, volta ao pó de uma relíquia esquecida no tempo!

 Aline Westphal

sábado, 17 de março de 2012

Filhos do mundo!


Quando ainda me carregava no corpo seu.
Quando cantava, me embalava e conversava comigo.
Eu comecei a ser.
Meus primeiros passos, a cada aplauso eu tentava de novo.
A cada balbuciar, um sorriso, uma lagrima, até aprender a falar.
Formando cada imperfeição, que perfeitamente se encaixaram em mim.
Encostando ponta á ponta de cada dedo, e percebendo cada forma, cada traço.
O espaço, o tempo, cada objeto, significados em particular.
Meu corpo como um suporte pra minha consciência.
Que em cada movimento, carregava um pouco do mundo lá fora.
Pronto, pertenço a esse mundo agora.
Deixe-me seguir esse movimento.
Deixe-me perder nas coisas.
Por muitas vezes eu vou querer voltar, por muitas vezes eu não vou ver sentido, por muitas vezes o meu olhar de tristeza irá te consumir.
Mas preciso entender que fui mais um produto, mais uma conseqüência.
Porque essa é a arte de existir, isto é estar no mundo.
Porque sou aquilo que faço, com tudo o que fazes de mim.

Aline Westphal


quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Sobejos


Eu via de longe a pressa do povo.
Pessoas são tão estranhas, não?
Vamos nos construindo, aniquilando as diferenças.
É o sistema, é assim que ele opera.
Algumas vozes sussurram de longe, bem baixinho, “ainda existe esperança”.
Quando a ordem é padronizar, então sim! Somente a esperança é o que resta.
Por muito tempo fomos impedidos de falar.
Já se fazia muito em existir.
Ousadia!
Vidas desperdiçadas, sonhos não vividos, tudo regrado!
O preço da discórdia, da intolerância.
Um erro que se repete, contamina gerações.
A mudança leva tempo.
Mas o tempo não espera por ninguém.
Aline Westphal

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Escute o meu silêncio.


Fique com o meu silêncio.
As palavras já não importam, se você não sabe compreende-las.
Eu entendi que nossos mundos são completamente diferentes.
Você jamais irá me compreender, porque você nem se esforça pra isso.
Eu não posso exigir que você aprenda o que eu aprendi, e nem que repense tudo o que vivemos.
Só quero que entenda que eu não posso deixar de lado o que eu sei.
Não posso viver uma mentira, e nem aceitar desculpas prontas.
O meu silêncio não surgiu por falta de respostas.
É só um excesso que não se expande.
Tudo o que eu sei, eu tenho só pra mim.
Aprendi a enxergar além, demasiadamente.
Tudo eu aceito, como atitudes meramente humanas.
Assim é a vida.
Chega a ser abusiva a minha falta de julgamento, eu sei.
Minha tranqüilidade e minha paciência escondem uma agonia sem fim.
O meu jeito indiferente esconde um cansaço, um conformismo.
Não, não pense que eu desconsidero a vida, no fundo eu me importo e lamento.
Mas nada eu posso fazer.
Talvez se eu soubesse menos, poderíamos viver numa ignorância.
Mas ainda prefiro perder alguém, a perder a mim mesma.
Aline Westphal

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Eu tive um sonho


Fechei os meus olhos enquanto as paredes se desmanchavam.
Eu não estava mais presente.
Tudo o que eu vejo sempre acontece no mesmo lugar.
No desespero eu me jogo e me vejo afundando.
Em seguida estou em pé de novo, caminhando na mesma direção.
Não consigo escutar a minha voz e mal posso ver quem esta em volta, mas sei que todos estão lá.
Não consigo encaixar as peças do quebra cabeça, nem voltar ao início.
As cenas se repetem, mas eu nunca ás vejo acontecer.
Eu não consigo me lembrar, nem distinguir qual é a realidade ao certo.
Mas eu sei que existe um mundo que é de fantasia.
E eu me vejo caindo, mas não me vejo chegar ao chão.
Eu sempre acabo morrendo mais de uma vez.
Acho que isso já virou um jogo divertido, sem espaço para culpa nem dor.
Eu refaço as cenas, manipulo os personagens, mas o cenário é sempre o mesmo.
Tudo que esta aqui dentro só pertence a mim.
Até que eu volte a existir, até que eu acorde outra vez.
Aline Westphal

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Se me deram asas, então eu quero voar!




Não encontrei lógica alguma pelos caminhos da vida.
Talvez ela seja feita para ser assim.
Alguém um dia me falou do mais puro sentimento, era sublime.
Retribui de forma sincera e desmarcarei essa falsa realidade.
Não foi por maldade, nem por falta de crença.
Mas por já ter vivido repetida vezes a mesma história.
Pessoas vivendo em uma relação econômica, e elas ainda chamam isso de amor.
Feche os olhos para falar, não veja a sua vergonha.
Por impulso evitei a felicidade.
Tive medo do que esperavam de mim, do que eu teria que retribuir.
Perder?
Não, nada é seu por direito.
Use enquanto estiver ao alcance.
Não procure sentido algum, pois você morrerá na ignorância de um dogmatismo.
Sem começo, nem fim, apenas em eterna construção.
Aline Westphal

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Sorria, você está sendo enganado!


Perguntam-me porque eu sempre bato na mesma tecla.
Porque eu insisto no mesmo erro.
Porque sou quem sou!
Pois bem, digo-lhes que insisto porque acho certo, porque me constitui assim.
O que querem fazer de mim? Com que direito me invadem assim?
Apelo pela liberdade e pelo respeito.
Invadir os pensamentos alheio também é uma forma de violência, tão absurda quanto!
Acusaram-me e me marcaram com ferro ardente.
Tiraram-me a escolha e me disseram que este é o único caminho.                          
Bobagem.
Porque eu seguiria uma insanidade diferente da minha?
Ambas me farão pecar da mesma maneira.
Crueldade seria me doar a um sofrimento desnecessário.
Ergueram um poste ardendo em chamas e disseram que lá era o meu lugar.
Tantos de mim se foram até descobrirem que nenhum mal eu fazia, além de explorar meus próprios pensamentos.
A evolução foi estagnada e muita ciência desperdiçada, por acharem que ali continha um mal.
Purificaram muitas almas, mutilando muitos corpos.
E hoje, salvos de tanta desgraçada, nada foi resolvido.
Continuam querendo aniquilar pensamentos.
Quantos séculos de sofrimentos a mais ainda faltam até que a humanidade aprenda?
Continuo com tristeza ouvindo absurdos.
Na minha máscara á de ficarem as cicatrizes, enquanto a minha verdadeira face descansa.

Aline Westphal