terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Tolere o meu ser.


Sobrevivemos perante a intolerância do mundo.
Carregamos o fardo da ignorância.
Eles brigam pelo poder entre as raças.
Tentam converter os infiéis.
Tentam curar desvios da sexualidade.
Não aceitam o que é diferente.
Querem nos colocar na fila da reforma.
Querem castrar o nosso saber.
“precisamos manter o controle e a ordem”, é o que dizem.
Hipocrisia.
Querem nos manter em silêncio, não respeitam as nossas diferenças.
Parem por favor, deixe-nos em paz.
Pessoas só querem ser livres.
Livres para pensar, agir e amar.
Não precisamos termos todos a mesma cor para sermos gente.
Gostar de pessoas do mesmo gênero, também é uma forma de amar.
Deficiência não é diferença.
Os limites podem ser superados, ou simplesmente vivenciados como um estilo de vida.
Fé e religião são coisas distintas.
Ciência é valida, mas não é um saber absoluto.
Já não sabemos mais no que acreditar, e ainda vivemos em constante rivalidade.
Pregamos ilusão, julgamos sem razão, continuamos sem pensar.
O que me fere também fere o outro, então porque proporcionamos tanta dor?
Opressão, esta longe de ser educação!
Então por favor, me ame pelo que eu sou, e não pelo que fizeram de mim.

Aline Westphal

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Um ser social?


Quando você me pede pra agir, eu digo que não sei o que fazer.
Quando você me pede pra falar, eu digo que não tenho o que dizer.
Quando você me pede pra ver, eu digo que não consigo enxergar.
Então você se vai.
Assim como milhares de mim, eu sou só mais uma.
Fomos construídos e empilhados, agora já não servimos mais.
Você gostou do que viu, quando eu abri os meus olhos pela primeira vez?
Um brinquedo novo.
Apagaram a minha memória e instalaram novos saberes.
Pesado demais pro meu sistema, não?
Eu vejo novos projetos nascerem semelhantes a mim, e eu sei o fim que isso terá.
Deram-me um número e um nome, e me mandaram viver.
Disseram-me que eu tinha escolha, e chamaram-na de democracia.
Ditaram-me regras, e me disseram que eu era livre.
A onde eu estou?
Eu vivo mentiras porque me esconderam a verdade.
Pediram-me pra pensar, mas esqueceram de me dizer que meu pensamento é previsível.
Ao nascer me disseram no que eu deveria acreditar, e eu acreditei.
Disseram-me como jogar, e eu joguei.
Se eu não o fizer, o que será de mim?
Talvez me desliguem, talvez apaguem a minha memória outra vez.
Não, eu não quero ser reconstruída, me deixem viver.
De uma alma a minha pele de lata, e deixe-me mover o meu corpo.
Tire o óleo das minhas veias, e deixe-me sentir o pulsar do meu coração.
Eu quero ser livre, não quero um pensamento pronto.
Não me diga o que fazer.
Livre-me das amarras, deixe-me ser humano.
Deixe-me ser humano outra vez.
Aline Westphal

Objeto estranho.


Eu não me sinto realmente presente.
É tudo muito vago, muito longe de mim.
É um mundo a par.
Ser real é existir?
Muitas coisas não existem, mas é real pra mim.
Eu vejo o mundo de um jeito só meu, esse mundo é o mesmo que o seu, mas jamais será igual para você.
Existem coisas que só eu posso ver, coisas que foram criadas por mim e reinventadas outra vez.
Eu descobri uma forma de fazer isso valer.
Eu só preciso sentir, mesmo que eu não possa tocar.
Eu realmente estou presa nisso.
Deslocada dentro de um objeto estranho.
Eu posso escolher onde quero chegar?
Talvez qualquer caminho sirva pra quem não vê sentido em lugar algum.
Eu posso quebrar algumas barreiras, mas jamais estarei completa outra vez.
Eu posso sair disso?
Eu projetei uma vida sem dor, mas não foi possível de realizá-la.
Eu busquei um sentido, mas não pude prever as variáveis.
E o mundo está cheio delas.
Ah, deixe-me em paz, quero voltar a dormir, não quero voltar a viver.
Eu realmente estou presa nisso.
Deslocada dentro de um objeto estranho.

Aline Westphal

domingo, 25 de dezembro de 2011

A minha paz!


É distante, é vazio, é difícil de chegar quando não se sabe pra onde ir.
É uma estrada no meio do nada, e alguém o chamou de sentimento.
Ah, esse silêncio é bom, só assim eu consigo pensar.
Eu escuto alguém dentro de mim, ele me conforta quando estou sozinha.
O céu está limpo e o dia está claro, isso é a paz?
Eu sai por um portão que estava aberto, estou testando os meus limites.
Não sei o que tem lá fora, não vejo nada, nem perigo, nem ameaça, nem ninguém.
Eu sou real?
Às vezes isso parece ser um sonho.
Sem gritos, sem risos, sem nada, isso é a paz?
Se isto é ser eterno, eu quero viver para sempre.
Me prometeram que seria assim, que eu teria vida eterna.
Será que fui boa o suficiente? Será que mereço continuar vivendo?
Não sinto cóleras, nem sossego.
Horas, Isso é a paz?
Acho que me confundi com a solidão.

Aline Westphal

sábado, 24 de dezembro de 2011

Eu não te juro amor eterno!


Eu olho, um olhar bobo de quem ainda não compreende.
Eu sinto, um sentir vazio que não possui garantias em ser.
Dissimulada, sínica, mentirosa...
Eu não te amo de verdade, sou egoísta demais pra isso.
Só quero testar o meu poder, só quero brincar com o teu orgulho.
Eu finjo mentiras, mudo as verdades.
Sentimento, onde está você?
Ninguém consola um coração partido.
Juntando as partes sempre sobram alguns pedaçinhos.
Nada será perfeito outra vez.
Eu não serei igual, nada me trará de volta.
Dissimulada, sínica, mentirosa...
Eu nunca soube perdoar, eu só queria destruir.
Também estou sofrendo com isso, mas é uma forma de te punir...
De nos punir.
Não quero desenterrar velhas histórias, eu não posso revivê-las.
Tarde demais pra isso.
Mas eu quero dar um final pra tudo, um péssimo final.
Dissimulada, sínica, mentirosa...
Nada me trará de volta.

Aline Westphal


quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Aprendi com a morte!


É um pouco assustador, você não acha?
Ver seus sonhos interrompidos tão depressa.
Ela um dia acreditou na bondade dos homens.
Mas era tudo hipocrisia.
Se ao menos eu pudesse voltar no tempo, você jamais teria existido, eu jamais teria o inventado.
De todas as decepções você foi à pior.
Agora eu sei o que é chorar perante a sua própria criação.
Deus esta triste.
Eu entendo sua dor.
Alguém pode me curar?
Talvez se eu pedisse perdão.
Você me perdoaria?
Esta tudo perdido dentro de mim, e agora eu estou bem longe de você.
Pai, eu posso voltar pra casa?
Você me aceitaria de volta?
Eu estou sozinha agora, e eu estou com medo.
Eu acreditei, achei que fosse sincero, achei que fosse de verdade.
Não compreendo como vim parar aqui.
É frio e alto, não gosto do gosto que a solidão tem, ela é amarga assim como a tristeza que ela trás.
Eu vejo pessoas chorando, eu acho que as conheço. Algo me diz que aquele era o meu lar.
Eu grito alto, muito alto, mas ninguém pode me escutar.
Eu estou perto, mas ninguém pode me ver.
Só queria poder recomeçar outra vez.
Pai, eu posso voltar pra casa?

Aline Westphal

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Que direito que você acha que tem? De vir mexer com o meu mundo, depois ir embora assim?


Naquele tempo era tudo mais fácil, você se lembra?
Eu sei, eu sempre vivi em um mundo só meu, dei poucas oportunidades pra você entrar.
Mas você esteve presente do mesmo jeito.
Porque não foi embora antes?
Eu devia ter abandonado tudo enquanto podia, agora tenho que assistir a isso.
Porque eu sempre esperei que o mundo desse voltas.
Caramba, ele deu, mas parou no mesmo lugar.
Você entende quando eu digo que preciso de você?
Suas manias continuam todas iguais, a mesma pessoa em um tempo diferente.
Evoluir é a palavra? Pois acho que estabilizei.
Alguém poderia me tirar daqui?
Não quero te ver partir de novo.
Algumas situações simplesmente nunca mudam.
Pessoas também não.
O egoísmo tomou conta do mundo.
Sim, eu sei, eu faço parte dele.
Mas definitivamente, eu não entendo as suas razões.
E definitivamente eu não entendo as minhas.

Aline Westphal

Meu anjo.



O meu anjo me guarda toda noite quando vou dormir.
Nos meus sonhos ele aparece.
Eu estava no lugar certo aquele dia, eu precisava saber.
Sossego, essa é a palavra.
O pior já passou, ele sempre passa.
Alguém sussurra ao meu lado.
Me de a mão! Vamos atravessar agora.
Meu anjo, ele me guarda, me abraça forte e me cobre com as suas asas.
Agora eu creio, creio porque te ouvi chamar meu nome.
Meu anjo me protege, me ama como eu o amo.
Me segura forte, não me deixe cair, é tão alto aqui de cima.
Meu anjo me leve, quando tudo isso acabar.

Aline Westphal

domingo, 18 de dezembro de 2011

Tim Burton


Sua pele é de um claro tecido,
Todo costurado e refeito.
Muitos alfinetes coloridos
Despontam-lhe à altura do peito.

Olhos que giram como discos,
Ela possui dois belos pares.
Olhos de poderes hipnóticos:
Olhos de apaixonar os rapazes.

Rapazes que coloca em transe,
Como verdadeiros zumbis.
É o caso de um zumbi francês,
Que depois só dizia: "Oui, oui".

Mas ela também tem uma sina
Que jamais pode ser quebrada:
Se alguém dela se aproxima
Seu coração sente as espetadas.

Tim Burton

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Geni e o Zepelin


De tudo que é nego torto
Do mangue e do cais do porto
Ela já foi namorada
O seu corpo é dos errantes
Dos cegos, dos retirantes
É de quem não tem mais nada
Foi assim desde menina
Das lésbicas concubina
Dos pederastas, amásio
É a rainha dos detentos
Das loucas, dos lazarentos
Dos moleques do internato
E também vai amiúde
Com os velhinhos sem saúde
E as viúvas sem porvir
Ela é um poço de bondade
E é por isso que a cidade
Vive sempre a repetir
"Joga pedra na Geni
Joga pedra na Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni"

Um dia surgiu, brilhante
Entre as nuvens, flutuante
Um enorme Zepelim
Pairou sobre os edifícios
Abriu dois mil orifícios
Com dois mil canhões assim
A cidade apavorada
Se quedou paralisada
Pronta pra virar geléia
Mas do Zepelim gigante
Desceu o seu comandante
Dizendo: "mudei de idéia
Quando vi nesta cidade
Tanto horror e iniqüidade
Resolvi tudo explodir
Mas posso evitar o drama
Se aquela formosa dama
Esta noite me servir"
Essa dama era a Geni
Mas não pode ser Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni

Mas de fato, logo ela
Tão coitada e tão singela
Cativara o forasteiro
O guerreiro tão vistoso
Tão temido e poderoso
Era dela prisioneiro
Acontece que a donzela
E isso era segredo dela
Também tinha seus caprichos
E a deitar com homem tão nobre
Tão cheirando a brilho e a cobre
Preferia amar com os bichos
Ao ouvir tal heresia
A cidade em romaria
Foi beijar a sua mão
O prefeito de joelhos
O bispo de olhos vermelhos
E o banqueiro com um milhão
"Vai com ele, vai, Geni
Vai com ele, vai, Geni
Você pode nos salvar
Você vai nos redimir
Você dá pra qualquer um
Bendita Geni"

Foram tantos os pedidos
Tão sinceros, tão sentidos
Que ela dominou seu asco
Nesta noite lancinante
Entregou-se a tal amante
Como quem dá-se ao carrasco
Ele fez tanta sujeira
Lambuzou-se a noite inteira
Até ficar saciado
E nem bem amanhecia
Partiu numa nuvem fria
Com seu Zepelim prateado
Num suspiro aliviado
Ela se virou de lado
E tentou até sorrir
Mas logo raiou o dia
E a cidade em cantoria
Não deixou ela dormir
"Joga pedra na Geni
Joga bosta na Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni"
(Chico Buarque de Hollanda)

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

EU ESCREVI UM POEMA TRISTE


Eu escrevi um poema triste
E belo, apenas da sua tristeza.
Não vem de ti essa tristeza
Mas das mudanças do Tempo,
Que ora nos traz esperanças
Ora nos dá incerteza...
Nem importa, ao velho Tempo,
Que sejas fiel ou infiel...
Eu fico, junto à correnteza,
Olhando as horas tão breves...
E das cartas que me escreves
Faço barcos de papel!

Mário Quintana  - A Cor do Invisível

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Amizade, você veio sem eu pedir e ficou sem eu saber.


Ela não se mede, nem se pesa só se sente.
Por muitas vezes eu tentava prever reações, procurar compatibilidade e escolher..
Escolher a pessoa que mais se enquadrava no papel de amiga.
Nunca encontrei alguém tão parecido, que não fosse tão diferente.
Minhas tentativas de preencher o que não havia em mim, faziam-me procurar no outro algo que me completasse.
Sensações de estar vivendo através de outra vida, que não a minha.
No final de cada história eu via que o erro era meu, que aquela pessoa não era eu. Mas eu continuava procurando.
Surgiam outras, e elas iam..
Doar a mim o papel de vítima parecia fácil e repetitivo.
Ninguém irá gostar de você!!!  repetia com freqüência.
Sim, era a concretização da profecia. Eu encontrava exatamente o que eu estava procurando, e isso possuía o nome de abandono.
As velhas histórias com novos personagens.
Se permita menina!!! Eu tentava, e isso é sincero. Mas o erro que cega, é aquele que sempre cometemos.
Hoje eu aprendi a dar oportunidade para a vida, e esta me retribuiu com uma surpresa.
Trazendo-me pessoas, que de tão diferentes se tornaram muito parecidas, pessoas que entraram na minha vida sem eu pedir, e sem que eu me desse conta permaneceram, pois esta é uma união sincera, que com carinho recebe o nome de verdadeira amizade.

Aline Westphal

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

QUERIDA MIA...


Eu me lembro de sua companhia à noite, quando eu sonhava com risos e você me confortava. Lembro das vezes que eu não via alternativa e você me dava opção.
Por muitas vezes eu me olhava no espelho, e a minha imagem parecia estar refletida em uma poça d’água, distorcida e desfocada.
Quando você estava comigo eu sentia um controle imenso, eu não me dava conta nem por um segundo de que era tudo ilusão.
Todos os dias eu ingeria as minhas impulsividades, e regozijava as minhas agonias. Eu podia sentir que você estava comigo.
Sempre que eu me sentia fora dos padrões, você me acolhia e dizia: Calma, vai ficar tudo bem!
Eu não podia entender porque os olhares de reprovação se tornaram piedosos tão rápido, não havia nada de diferente em mim que eu pudesse ver. Mas você via, e gostava.
Houve um tempo que eu senti raiva de você, e eu já não te queria mais por perto. Mas toda vez que eu me olhava no espelho lá vinha você sorrateira, me dizendo que ainda estava presente.
Eu estava morrendo, você sabia, e me chamava!
Me desculpe o modo, não pense que estou sendo egoísta, mas preciso me despedir, necessito de um tempo,  espero que você entenda e aceite.
Você me acompanhou por muito tempo, mas hoje...
Hoje eu sigo sozinha!
#fragmentos de uma memória

Aline Westphal!

Um sonho!


Às vezes também gosto de brincar de ser feliz.
Esquecer do mundo e lembrar um pouco de mim, fingir que tudo é de verdade.
Muitas vezes me dou conta de que nada existe além dos muros da minha imaginação, e eu me vejo caindo.
Do outro lado da cerca existe um campo, este que de tão belo me prende junto às flores, que de tão imenso não me permite voltar.
Eu quero permanecer lá, mas ainda estou caindo.
Faço de conta que estou voando, abro os braços, sinto o vento, e fico torcendo para que eu nunca, nunca chegue ao chão.
Não existe mais nada além de mim e meu corpo no ar.
O tempo esta passando, mas não me dei conta disso ainda.
Passarinhos, eles cantão, é o som mais lindo que já ouvi.
A sensação devagarzinho vai cessando, eu preciso voltar, e vou acordando sem querer acordar.

Aline Westphal

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Ela acreditava em anjo e, porque acreditava, eles existiam.


Hoje, sem muitos dizeres.
O que me resta é acreditar, em qualquer coisa que me conforte talves.

Como dizia Clarice Lispector: Ela acreditava em anjo e, porque acreditava, eles existiam.

Aline Westphal!

sábado, 3 de dezembro de 2011

A tristeza me chamou, e eu a ouvi!


Ela esta sofrendo, sofrendo de melancolia.
Qualquer ruído a incomoda, principalmente estes que de tão pequenos e profundos a alma absorve só para ser inconveniente.
A alegria também a incomoda, esta que só chega aos outros para que assim seja invejada.
Os planos, estes lhe são traiçoeiros, tudo se torna imprevisível aos olhos de um melancólico.
A incerteza, ah! Esta é sua companheira, assim como a mágoa e a culpa.
Nesse jogo fictício onde ela é a única personagem, ela conjectura os seus abismos.
Hey,  existe alguém ai que pode me escutar?
Não, não adianta chamar, ninguém vai lhe ouvir, ninguém ouve um melancólico, este que faz com esmero a faculdade das suas tristezas. Não! Ninguém vai lhe ouvir. Ninguém a compreende porque não estas sendo límpida.
Mas deixe, deixe o pensamento para quem interessar interpretar-lhe.
Aline Westphal

Gare do Astapovo

O velho Leon Tolstoi fugiu de casa aos oitenta anos
E foi morrer na gare de Astapovo!
Com certeza sentou-se a um velho banco,
Um desses velhos bancos lustrosos pelo uso
Que existem em todas as estaçõezinhas pobres do mundo,
Contra uma parede nua...
Sentou-se... e sorriu amargamente
Pensando que
Em toda a sua vida
Apenas restava de seu a Glória,
Esse irrisório chocalho cheio de guizos e fitinhas
Coloridas
Nas mãos esclerosadas de um caduco!
E então a Morte,
Ao vê-lo sozinho àquela hora
Na estação deserta,
Julgou que ele estivesse ali à sua espera,
Quando apenas sentara para descansar um pouco!
A Morte chegou na sua antiga locomotiva
(Ela sempre chega pontualmente na hora incerta...)
Mas talvez não pensou em nada disso, o grande Velho,
E quem sabe se até não morreu feliz: ele fugiu...
Ele fugiu de casa...
Ele fugiu de casa aos oitenta anos de idade...
Não são todos os que realizam os velhos sonhos da infância!


Mário Quintana

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

#Memórias dos primeiros anos!

Se essa rua, Se essa rua fosse minha
Eu mandava, Eu mandava ladrilhar
Com pedrinhas, Com pedrinhas de brilhante
Só pra ver, Só pra ver meu bem passar

 Nessa rua, Nessa rua tem um bosqueQue se chama, Que se chama solidão
Dentro dele, Dentro dele mora um anjo
Que roubou, Que roubou meu coração


Se eu roubei, Se eu roubei teu coração
Tu roubaste, Tu roubaste o meu também
Se eu roubei, Se eu roubei teu coração
Foi porque, Só porque te quero bem
#Memórias dos primeiros anos!

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

MANTRA


Um dia encontrei um jovem monge Hare Krishna, e este veio me falar de destino.
Ora! Destino cruel é o seu, pensei eu.
Vivendo em um mosteiro, isento dos prazeres da vida.
Bom mesmo é o meu destino.. estou entregue as minhas vontades..
Hoje sozinha em casa escuto alguém bater a porta, o olho mágico mostrou-me lá fora..
não pode ser,  pensei comigo! O que eu estou fazendo lá?
Alguém cuja imagem eu não vi respondeu:  Seus vinte anos minha cara.. se aproxima..
Virei-me e vi minha imagem no espelho, já não era mais uma menina, alguém estava no meu lugar, mas.. mas parecia cansada, assustada, inquieta..
Destino, cadê você?  Gritei alto...
Entregue aos meus vícios e minhas neuroses... Que destino esse meu!
E aquele jovem, o pequeno Krishna..  Ah, perdoe-me a confusão, foi na busca incessante do destino que encontrei uma amarga ilusão chamada LIBERDADE!
Aline Westphal!

Hare Krishna Hare Krishna
Krishna Krishna Hare Hare
Hare Rama Hare Rama
Rama Rama Hare Hare


quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Eu não vou me adaptar




Aquela menina que um dia prendeu laços no cabelo, brincava de ciranda e se aventurava nas revistas em quadrinhos, hoje não se adapta!
Não, eu não prendo mais laços no cabelo, nem uso vestidos de princesa. Minha literatura infântil perdeu espaço para os livros de filosofia.
O tempo foi rápido e impiedoso com as minhas mudanças, e eu... áh! eu não me dei conta de que a menininha partiu!

Já dizia Nando Reis,
Eu não caibo mais nas roupas que eu cabia
Eu não encho mais a casa de alegria
Os anos se passaram enquanto eu dormia
E quem eu queria bem me esquecia
Será que eu falei o que ninguém ouvia?
Será que eu escutei o que ninguém dizia?
Eu não vou me adaptar, me adaptar ..

Para iniciar bem a minha volta ao "O passageiiro"..Dedico Mário Quintana..



 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Se tu me amas, ama-me baixinho
Não o grites de cima dos telhados
Deixa em paz os passarinhos
Deixa em paz a mim!
Se me queres,
...
enfim,
tem de ser bem devagarinho, Amada,
que a vida é breve, e o amor mais breve ainda...

Mário Quintana