sábado, 17 de março de 2012

Filhos do mundo!


Quando ainda me carregava no corpo seu.
Quando cantava, me embalava e conversava comigo.
Eu comecei a ser.
Meus primeiros passos, a cada aplauso eu tentava de novo.
A cada balbuciar, um sorriso, uma lagrima, até aprender a falar.
Formando cada imperfeição, que perfeitamente se encaixaram em mim.
Encostando ponta á ponta de cada dedo, e percebendo cada forma, cada traço.
O espaço, o tempo, cada objeto, significados em particular.
Meu corpo como um suporte pra minha consciência.
Que em cada movimento, carregava um pouco do mundo lá fora.
Pronto, pertenço a esse mundo agora.
Deixe-me seguir esse movimento.
Deixe-me perder nas coisas.
Por muitas vezes eu vou querer voltar, por muitas vezes eu não vou ver sentido, por muitas vezes o meu olhar de tristeza irá te consumir.
Mas preciso entender que fui mais um produto, mais uma conseqüência.
Porque essa é a arte de existir, isto é estar no mundo.
Porque sou aquilo que faço, com tudo o que fazes de mim.

Aline Westphal